Redução da população rural ameaça agricultura familiar no Paraná

A população rural do Paraná está encolhendo rapidamente e, segundo estimativas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), deve passar de 1,19 milhão para aproximadamente 1,01 milhão até 2030. Essa redução, provocada pelo avanço da urbanização e da mecanização, preocupa órgãos públicos e especialistas, pois pode impactar profundamente toda a cadeia alimentar que abastece o estado e o país.

Papel crucial da agricultura familiar

O Paraná é referência quando o assunto é agricultura familiar: de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), cerca de 75% dos estabelecimentos rurais pertencem a pequenos produtores. Eles respondem pela maior parte dos alimentos consumidos pelos paranaenses, como leite (85,6% das propriedades produtoras), hortaliças (68,2% do valor da produção), feijão preto (42,8%) e mandioca (42,2%).

Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Natalino Avance de Souza, a saída de jovens do campo pode reduzir a diversidade e a disponibilidade de alimentos frescos nas cidades, além de aumentar a concentração de renda no agronegócio. "A menor presença de jovens no campo atinge diretamente o consumidor urbano. Quanto menor o número de agricultores familiares, menor será a variedade de alimentos frescos e maior a perda de diversidade alimentar", alerta.

Desafios e oportunidades: tecnologia e políticas públicas

Enquanto parte do setor se preocupa com o desaparecimento progressivo dos pequenos produtores, especialistas como Jefrey Albers, gerente da FAEP (Federação da Agricultura do Paraná), veem uma oportunidade. Ele destaca que a tecnologia, como drones e agricultura de precisão, pode atrair jovens de volta ao campo, principalmente nas médias e grandes propriedades.

Para a agricultura familiar, o desafio é tornar essas ferramentas acessíveis, além de agregar serviços públicos – transporte escolar, infraestrutura, saúde e lazer – que garantam qualidade de vida aos jovens do campo. Segundo Tainá Guanini, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (FETAEP), só assim será possível estimular a sucessão rural e manter a atividade viva.

As principais políticas atuais buscam estimular a permanência do jovem no meio rural:

  • Banco do Agricultor Paranaense: financiamentos com juros subsidiados pelo governo para automação, energia renovável e irrigação.
  • Capacitação continuada: treinamento de jovens gestores rurais via IDR-Paraná.
  • Pavimentação de estradas: facilita o transporte escolar e o escoamento da produção.
  • Incentivo ao cooperativismo e agroindustrialização: impulsiona a produção local de queijos, orgânicos e embutidos.

Agricultura familiar e grandes propriedades: coexistência competitiva

No horizonte, há preocupação de que pequenas propriedades sejam engolidas por grandes corporações agrícolas. No entanto, o secretário Natalino Souza acredita que o futuro será de convivência entre modelos, desde que haja políticas públicas para garantir renda, infraestrutura e educação nas áreas rurais.

"O desafio para os próximos anos não é somente produzir mais, mas criar condições para que as famílias do campo possam produzir melhor, gerar mais renda e ter perspectivas de futuro", reforça o secretário.

O debate sobre o êxodo rural do Paraná é central não só para a economia, mas também para a qualidade e a diversidade alimentar dos brasileiros. Fique por dentro dessas e de outras questões sobre sociedade e agricultura em brazilculture.live.